Primeiras Impressões: Ben 10 (Dynamite Entertainment)

 

As séries originais de Ben 10 fizeram parte da minha infância e da formação do meu gosto pessoal. Sempre gostei muito, desde a primeira vez que assisti um episódio do clássico no Bom Dia & Cia, muitos mais anos atrás do que eu gosto de pensar sobre. Ok, quem estou tentando enganar? Eu não simplesmente "gostava" de Ben 10.... era completamente obcecado por Ben 10 e tudo relacionado ao mesmo na minha infância, tinha os brinquedos do camelô, cartinhas, álbum de figurinhas, jogo de PS2, MUITAS camisetas, embalagem de sorvete, brinde de salgadinho, omnitrix de brinquedo e um que eu mesmo fiz usando papelão. Dito isso, talvez (só talvez) possa ter tido grandes expectativas com esse recomeço da franquia.

Depois da primeira série de Ben 10, foram lançadas mais três sequências diretas: Força Alienígena, Supremacia Alienígena e Omniverso. Eu assisti todas elas e me diverti bastante, mas o meu favorito segue sendo a primeira encarnação. Vale dizer que existe um reboot de 2016, mas não vi quase nada dele, não me interessou em nada por várias razões. Quando a Dynamite Entertainment anunciou um gibi da série escrito por um dos criadores originais, Joe Casey (um dos membros da Man of Action), fiquei bastante empolgado. Afinal, os criadores de Ben 10 já eram roteiristas de quadrinhos populares antes de criar o show do Cartoon Network, então um novo gibi da série não poderia ser ruim, né? NÉ?

Provavelmente a página com os melhores desenhos do Ben na primeira edição toda.

A verdade é que, julgando pelas duas primeiras edições que li, não tenho muitas coisas necessariamente boas para dizer. Primeiro,  a história começa de forma muito parecida com o desenho animado original, até os diálogos são o mais Man of Action possível... ou seja, são cheios de sarcasmo e tiradas sem graça. A proposta desse novo recomeço da franquia era ser mais do que uma simples e nostálgica visita ao mundo do portador do Omnitrix: a Dyanamite comix promteu trazer maior profundidade e violência com esse reboot, já que o público alvo da vez são os adultos que cresceram com a série original e suas sequências. Quanto ao resultado, eles com certeza aumentaram a violência da série, mas a complexidade segue a mesma do primeiro desenho do Ben 10.

Para atrair o seu público de volta, Joe Casey e a Man of Action apostaram em versões mais grotescas e monstruosas dos alienígenas da série animada. Acontece que eu achei tudo muito muito feio, totalmente sem inspiração. Isso para não dizer que o artista do gibi, Robert Carey, deixa muito a desejar em 99% das páginas, principalmente quando ele precisa desenhar humanos. Ben, a Gwen e seu Vô Max possuem visuais muito inconsistentes nas duas edições e, apesar de desenhar bem os alienígenas, os designs feiosos não ajudam em nada. Por sua vez, a colorização de Ren Spiller também não funciona e o resultado é uma experiência visual que atrapalha consideravelmente a leitura da HQ como um todo.

"Péssima ideia, Freddy Fazbear!"

Enquanto a primeira edição do novo gibi do Ben 10 é quase um copia e cola da primeira parte do episódio 1 da série original, a segunda edição traz um pouco mais de originalidade com alguns acontecimentos novos. O omnitrix fora de controle na floresta e o envolvimento dos militares americanos (que eu preferia não ver, para ser sincero) traz uma camada nova de acontecimentos simultâneos, mas não adiciona muito no que diz respeito à complexidade narrativa.  O Vilgax é apresentado desde as primeiras páginas da primeira edição e um dos caçadores alienígenas também aparece mais cedo que no desenho, na edição 2. Ainda assim, é muito pouco.

A Dynamite Entertainment não é uma das maiores editoras americanas, publica bastante material licenciado (Thundercats, Gárgulas, Disney, etc) e algumas séries de personagens populares dos quadrinhos como Vampirella e Red Sonja. Para o gibi do Ben 10, imagino que a Man of Action tenha o maior controle criativo, o que torna a coisa toda ainda mais decepcionante, pois os membros desse grupo já mostraram serem bons escritores. É uma pena que eles tenham decidido abordar a sua maior franquia de forma tão desinteressante e básica, mas vou me segurar na (pouca) esperança que me resta de que esse gibi ainda vai se transformar em algo melhor. A nostalgia é realmente uma prisão.

Sim, esse é o Vilgax.

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Escrito por Thiago Almeida.

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